domingo, 25 de janeiro de 2009
MST completa 25 anos
Difícil definir um marco que dá origem ao MST - Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. Entre 1979 e 1984, período de retomada das liberdades democráticas e reorganização dos trabalhadores, também no campo ocorriam ocupações, muitas vezes provocadas pela expulsão dos camponeses da terra, em conseqüência da construção das grandes hidroelétricas, como Itaipu, no sul do Brasil.
Mas para comemorar "os 25 anos de teimosia" – como define o dirigente João Pedro Stedile – foi escolhido o mês de janeiro de 2009. Em janeiro de 1984, em Cascavel, no interior do Paraná, reuniram-se lideranças de 16 estados brasileiros e decidiram unificar as suas lutas, em torno da bandeira do MST.
Contam os atuais dirigentes que os objetivos do MST sempre foram claros. Lutar por reforma agrária e por justiça social. O MST sempre identificou na imensa concentração de terras, um traço estrutural da colonização do país, desde as capitanias hereditárias, a raiz das desigualdades sociais. Hoje o plantio de soja em grandes extensões continua a produzir concentração de terras, como indicam dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Os dois últimos censos constatam que o número de propriedades, entre as safras 2006/2007, caiu em 42%, de 420.204 para 242.998, enquanto, no mesmo período, a produção de soja aumentou em 1,1%.
Os dados são preocupantes. Mas, sem o MST, seriam muito mais assustadores. Por trás do controle da terra estão, historicamente, mecanismos de poder e de dominação social. É contra esse poderoso inimigo de classe que o MST se levanta, com um custo altíssimo em vidas perdidas e retaliações, ano após ano. Um contexto massacrante que não assusta os trabalhadores sem terra, num país que sempre tratou com extrema violência todas as revoluções, rebeliões e organizações populares. É só dar uma folheada nos livros e verificar como foram impiedosamente sufocadas a Balaiada, a Cabanada, Canudos, os marinheiros da Revolta da Chibata. O Brasil continua a ser o país da conciliação entre as elites. E da chibata nos pobres. Essa realidade jamais mudou. Basta folhear as página mais recentes desse mesmo livro – como os massacres de Corumbiara e Carajás.
O MST mantém vivo o sonho, a utopia. Diz D. Pedro Casaldáglia, em entrevista ao jornal Brasil de Fato, referindo-se aos 25 anos do MST, que "a utopia é tão necessária quanto o pão". Apesar dessa inegável verdade, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) faz política com o pé no chão. Eis o que escreve Stédile:
"A luta pela reforma agrária, que antes se baseava apenas na ocupação de terras do latifúndio, agora ficou mais complexa. Temos que lutar contra o capital. Contra a dominação das empresas transnacionais. E a reforma agrária deixou de ser aquela medida clássica: desapropriar grandes latifúndios e distribuir em lotes para os pobres camponeses. Agora as mudanças no campo, para combater a pobreza, a desigualdade e a concentração de riquezas, dependem da mudança não só da propriedade da terra, mas também do modelo de produção. E se os inimigos são, também, as empresas internacionalizadas, que dominam os mercados mundiais, significa que os camponeses dependerão cada vez mais das alianças com os trabalhadores da cidade para poder avançar nas suas conquistas".
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quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
Por ordem da ANP, militantes são espancados e presos durante manifestação no Rio contra leilão do petróleo
Fonte: Agência Petroleira de Notícias
Veja fotos da atividade em www.apn.org. br
Cerca de 50 feridos e três pessoas detidas.
Esse é o saldo – até agora computado - deixado pela violenta reação da Polícia Militar do Rio de Janeiro e da Guarda Municipal, durante uma manifestação pacífica, por volta de meio dia, nesta quinta, 18, na Avenida Rio Branco, em protesto contra a 10ª Rodada de Licitação do Petróleo.
Depois de receberem uma ordem de despejo, ontem à noite (17) para desocupar o Edifício Sede da Petrobrás, no Rio, os manifestantes – cerca de 500 pessoas - dirigiram-se para a Candelária, que fica perto da Agência Nacional do Petróleo (ANP), responsável pela realização dos leilões das áreas petrolíferas.
Em seguida, a manifestação prosseguiu pela Avenida Rio Branco, em direção à Cinelândia.A violenta reação da Polícia Militar e da Guarda Municipal surpreendeu os manifestantes que foram espancados durante toda a caminhada pela Avenida Rio Branco.
Até agora os organizadores da manifestação, convocada pelo Fórum Nacional contra a Privatização do Petróleo e Gás, que reúne dezenas de entidades, confirmam a detenção de três pessoas: Emanuel Cancella, coordenador do Sindicato dos Petroleiros do Rio de Janeiro (Sindipetro- RJ); Gualberto Tinoco (Piteu), da Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas): Thaigo Lúcio Costa, estudante de jornalismo da Universidade de Santa Cecília, de Santos.
Dentre os feridos, está hospitalizado, com um corte na cabeça, no Souza Aguiar, o diretor do Sindipetro-RJ Eduardo Henrique Soares da Costa.
Um militante do MST quebrou o braço, ao ser espancado pela PM. As entidades que compõem o Fórum ainda estão fazendo o levantamento do número de feridos e estão tentando localizá-los. Muitos ainda não foram encontrados.
Desde a ordem de despejo, vinda da presidência da Petrobrás, ontem à noite, os manifestantes sentiram a animosidade das forças de repressão, mas não esperavam ação tão agressiva, contra uma simples manifestação de protesto. Um dos detidos, o coordenador do Sindipetro-RJ, Emanuel Cancella, declarou: “Nós acabamos de viver um momento que remonta à sombria época da ditadura militar. O Capitão Moreira me deu ordem de prisão, mesmo eu dizendo que era advogado. Ele bateu muito em mim. Algemou o Pitel e o estudante e os policiais feriram gravemente nosso companheiro Eduardo Henrique”.
Emanuel Cancella está com um braço fraturado e costelas. Por de 14 horas estava concluindo o seu depoimento na 1ª DP, na Rua Relação, 42. Logo seria encaminhado para exame de corpo delito. A partir das 14h30, a Rádio Petroleira transmitirá flashes ao vivo.
Participavam da manifestação no Rio, parte de uma jornada de Lutas pela suspensão do leilão do petróleo, iniciada desde o dia 14 – no dia 15, houve a ocupação do Ministério das Minas e Energia, em Brasília, pela Via Campesina e petroleiros – representantes de dezenas de entidades que compõem o Fórum, dentre as quais: Sindipetro-RJ, Sindipetro-Litoral Paulista, MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra) , MTD (Movimento dos Trabalhadores Desempregados) , FIST (Federação Internacionalista dos Sem Teto), FOE (Frente de Oposição de Esquerda da União Nacional dos Estudantes), as centrais sindicais Conlutas, Intersindical e CUT, a Federação Única dos Petroleiros (FUP), a Frente Nacional dos Petroleiros (FNP), o Centro Estudantil de Santos, movimentos de estudantes secundaristas do Rio de Janeiro.
A campanha “O Petróleo Tem que ser nosso” continua.
Contatos: (21) 76617258, Joba (MST); Marcelo Durão (21) 96847750; (21) 9963-3605, Francisco Soriano (Sindipetro- RJ); Moraes 21-76741786 (FUP).www.apn.org. brÉ permitida (e recomendável) a reprodução desta matéria, desde que citada a fonte.
sexta-feira, 31 de outubro de 2008
SEMANA ANTIIMPERIALISTA – CONTRA O LUCRO, ACIMA DA VIDA
Por Gilka Resende, da redação, e Rafael Duarte (*)
As principais reivindicações foram: retirada das tropas do Haiti, aumento geral dos salários, redução da jornada de trabalho e fim dos leilões de petróleo. Os manifestantes também protestaram contra as privatizações de empresas estatais, a mercantilização da educação e da saúde e a criminalização da pobreza e dos movimentos sociais. Também foi destaque o apoio ao povo boliviano e a luta pela soberania alimentar.
Protesto contra alta nos preços dos alimentos no Rio de janeiro
Na capital carioca as atividades se concentraram na quinta-feira, 16. O ato público Mulheres em Luta pela Soberania Alimentar escolheu a fachada de um supermercado da Rede Sendas para discutir a alta nos preços dos alimentos, chamando atenção de passantes. Alguns até se juntaram à manifestação.
Busca pelo lucro é responsável pela alta dos preços dos alimentos.
Foto: Leila Salles/ Pacs
“Os alimentos estão em alta porque sua comercialização está nas mãos destas empresas que só querem ganhar dinheiro, cada vez mais, à custa do prato de comida do povo. (...) Pagamos caro por uma crise que, ao contrário do que afirma o Governo Federal Lula e o Estadual Cabral, afeta-nos muito”, indicou trecho do documento divulgado pelas organizadoras. Um grande tapete lilás, cor que representa a luta feminista, foi estendido no chão. Nele, mensagens de crítica à atual lógica de produção e distribuição dos alimentos que gera exclusão no mundo.
A atividade defendeu o reconhecimento e o fortalecimento do trabalho das mulheres e a reforma urbana e agrária. Mulheres e homens, também presentes na manifestação pública, exigiram uma outra economia, que proporcione uma sociedade sem fome.
Mais duas manifestações de rua à tarde
Mulheres da Via Campesina, que também compuseram o ato da manhã, foram para Belford Roxo. Cerca de 300 integrantes fizeram outro ato público, dessa vez, em frente à sede da transnacional Bayer. Desde a entrada da cidade, os ônibus que levavam os manifestantes, vindos de diversas regiões do estado, foram escoltados pela polícia.
A atividade seguiu a linha política do protesto realizado mais cedo, denunciando o modelo de agricultura industrial controlado por grandes empresas transnacionais. Os presentes responsabilizaram esse modelo pela elevação do preço dos alimentos e pelo crescimento de famintos no mundo.
Mulheres em frente à Bayer. Foto: Rafael Duarte.
A Via Campesina defende a reforma agrária e uma política de apoio à agricultura familiar. “Queremos propor uma outra lógica de relação do homem com o campo. Defendemos a agroecologia. A Bayer é uma transnacional que monopoliza a produção de sementes, usa os venenosos agrotóxicos, rouba nossas riquezas e explora os trabalhadores brasileiros. Fizemos esse ato pois a Bayer representa tudo que combatemos” disse Eliana Souza, da direção estadual do MST.
Ato unificado contra a política imperialista
Simultaneamente, no Centro da cidade, representantes de diversas entidades saíram da Candelária em direção à Avenida Rio Branco, forte centro financeiro do Rio. A passeata intitulada Que os ricos paguem pela Crise Econômica! levou cerca de 350 pessoas a um extenso percurso. Por conta da multiplicidade de reivindicações, foram várias paradas em pontos simbólicos.
Após atravessarem a Rio Branco, professores e estudantes criticaram o Projeto Reuni (Programa de Apoio ao Plano de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais) em frente ao prédio do Ministério da Educação (MEC). O projeto foi aprovado, em 2007, em circunstâncias antidemocráticas, segundo os manifestantes. Os secundaristas, em maioria na manifestação, denunciaram a precariedade do ensino em suas escolas e a restrição ao Passe-Livre; nem todos têm acesso ao direito e, aos que têm, restam apenas 60 passagens.
“As Barcas S/A não liberaram nossa passagem hoje, por exemplo. Parece que os governantes pensam que a educação e a cultura só estão no caminho casa e escola. Não temos o direito de participar de uma manifestação? De ir ao museu, ao teatro? Um absurdo!”, reclamou Carine Vasconcellos, 16 anos, estudante do Colégio Pedro II, de Niterói. Os cerca de 150 secundaristas chegaram até o ato público por meio de ônibus intermunicipal, isso depois de pressionar a empresa de ônibus, contaram.
Em frente à Companhia Vale do Rio Doce, Marcelo Durão, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), lembrou a Campanha pela re-estatização da empresa, ocorrida em 2007. Na ocasião, 94,5% dos 3,7 milhões de participantes disseram “não” a uma Vale entregue ao capital privado. A mineradora foi vendida, em 1997, por R$ 3,3 bilhões, sendo que seu valor estava orçado em mais de R$ 10 bilhões. “Essa empresa é responsável por grandes crimes ambientais e quase sempre sai imune. A Vale, que deveria ser do povo brasileiro, foi vendida por preço de banana. Ela tem até uma Agência de Inteligência, dentro deste prédio aí, que estuda as ações do MST”, disse Durão, relacionando o atual papel da empresa às políticas imperialistas.
A Embaixada dos Estados Unidos foi mais um ponto de parada. Lá, como não poderia deixar de ser, a principal pauta foi a crise financeira. “Nunca há dinheiro para a educação, para a saúde. Mas sempre há dinheiro para os banqueiros”, protestou Emanuel Cancella, secretário geral do Sindipetro-RJ. Depois, os militantes queimaram o “símbolo do império”, a bandeira estadunidense. “Estamos em frente à embaixada do país que é coração do imperialismo, em frente aos que se acham donos do mundo”, caracterizou, em cima do carro de som, Ciro Garcia, do PSTU.
A marcha foi pacífica. Apenas um pequeno estresse entre um guarda municipal, que ministrava o trânsito na altura do prédio da Vale, e alguns militantes. Uma jovem senhora loira não aceitava esperar a manifestação passar para sair com seu Pajero TR4. Nervosa, a motorista reclamou bastante com o guarda, que replicou aos militantes. Em menos de 10 minutos, ela saiu com seu carro de bancos de couro que custa, em média, R$75 mil. Na traseira, a frase “the car, the legend”, que significa “o carro, a lenda”. Com o valor do automóvel, os 150 secundaristas de Niterói pagariam 90 vezes a passagem de R$ 2,75 do ônibus intermunicipal, contando ida e volta.
O encerramento do ato Que os ricos paguem a Crise Econômica! ficou para as escadarias do Palácio Tiradentes, que sedia a Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). As manifestações públicas que compuseram a Semana Antiimperialista contaram com a organização de diversas entidades e grupos políticos.
Entre eles: MST/ Via Campesina, Central de Movimentos Populares, Instituto Políticas Alternativas para o Cone Sul (Pacs), Assembléia Popular, Comitê Popular de Mulheres, CAMTRA, Movimento Direito Para Quem?, PSOL, Conlutas, Intersindical, PSTU, SEPE- RJ, DCEs da UERJ, UFF e UFRJ,Grêmios do Pedro II, Intersindical, MTST, Liberdade Lilás, PCB, Agroecologia e Luta Contra o Deserto Verde, Sindipetro-RJ, Marcha Mundial das Mulheres, Comissão Pastoral da Terra, Rede Jubileu Sul, entre outros.(*) Repórter da Agência Petroleira de Notícias.
